“Logan” e a leitura poética do tempo

Publicado em 12 de junho de 2017
por Welington Gonzaga
“Logan” e a leitura poética do tempo
# Dica de Filme #
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O filme “Logan” marca o fim de uma era. É o longa que encerra a jornada de Hugh Jackman no papel de Wolverine nos cinemas. Parece que passou rápido, mas faz tanto tempo que quando o ator australiano começou essa jornada tinha apenas 32 anos e, agora, aos 49 completa seu legado mutante.

Embora Wolverine ainda aparente excelente boa forma e Hugh Jackman esteja num apoteótico momento dramático — no sentido da sua performance como ator — o tempo passou para todos. Foram quase duas décadas que renderam sete produções no universo mutante, sendo quatro com os demais X-Men e três filmes solo.

Talvez por ser um filme de despedida, “Logan” tenha uma atmosfera tão saudosista e melancólica. Ainda mais num futuro que não se mostra otimista como o imaginávamos. Os tempos sombrios e as inseguranças dão a impressão de que todas as batalhas anteriores foram em vão. A única fagulha de esperança vem do elenco mirim, embora nada seja certo ou garantido de que venha a resultar em algo positivo.

Mais do que pessimismo do roteirista ou do diretor, “Logan” pode ser interpretado ainda como uma leitura poética sobre a finitude da vida e de todos os seres. Não são meros super poderes que nos tornam resistentes à passagem do tempo. O ponto é: todos têm um ciclo, um prazo de validade. Com Wolverine não seria diferente, nem com Professor Xavier, nem com qualquer outro mutante ou humano do planeta.

Existe grande possibilidade dessa leitura poética — e até filosófica — do filme “Logan” apresentar muitos equívocos e devaneios. Talvez os verdadeiros fãs de X-Men (aqueles realmente dignos de fazer uma análise confiável do conjunto da obra) apontem a falácia dessa interpretação. Mas, tratando-se de uma obra audiovisual, ou seja, tratando-se de arte, que alguém defenda também que toda subjetividade é plausível.

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