Adeus, impresso! Será?!

Publicado em 7 de junho de 2017
por Welington Gonzaga
Adeus, impresso! Será?!
# Jornalismo #
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Há um bom tempo existem muitas profecias dando conta do fim do jornal impresso como o conhecemos ao longo dos anos. O modelo de negócios consagrado durante décadas pelos veículos da grande mídia parece incompatível com a era digital.

Tais previsões sobre o fim do impresso fazem sentido quando analisamos o comportamento do público em relação ao consumo de informações. A nova geração, principalmente, não tem o hábito de assinar fisicamente ou de comprar exemplares avulsos de jornais nas bancas. A maioria não topa pagar por informações que conseguem de graça na rede. Os jovens consideram velhas as notícias do dia anterior. Essa obsolescência do conteúdo decorre do acelerado fluxo de informações possibilitado pela internet.

Entre os passos dados pelos veículos para se adaptarem a essa crise está o oferecimento de versões digitais dos mesmos jornais vendidos nas bancas. Aliás, em parte também por conta desse cenário, as bancas estão fadadas a uma reconfiguração de seu modelo de negócio. Há anos deixaram de ser apenas bancas de jornais e de revistas para virarem lojas multisserviços.

Quanto aos impressos, apesar dos esforços e tentativas de adaptação, apenas oferecer uma versão digital não resolve o problema. O público continua com a mesma sensação de estar lendo notícias ultrapassadas do dia anterior, mas no tablet, celular ou computador em vez do papel.

Para evitar que as notícias fiquem velhas, alguns jornais têm buscado alternativas com projetos experimentais. O jornal Estado de S. Paulo, por exemplo, criou um boletim chamado “Estadão Noite“.

De início, o boletim era disponibilizado apenas no aplicativo para tablets e smartphones. Mas, em 2016, o Estadão Noite passou a ser oferecido como newsletter aos leitores. O boletim passou a ser enviado por e-mail e não mais acessado pelo aplicativo. Os interessados devem se inscrever em estadao.com.br/e/news. Essas sucessivas mudanças indicam que a fórmula certa ainda não foi encontrada e precisa de constantes adaptações.

Os interessados no assunto podem assistir ao programa “Mídia em Debate“, produzido pela TVE do Rio Grande do Sul no ano de 2014 e disponibilizado no YouTube (assista abaixo), no qual três convidados conversam sobre o futuro dos jornais. Um deles é o jornalista Telmo Flor, então diretor de redação do Correio do Povo, que logo no início faz uma pergunta importante: “há uma crise ou há uma transição?”. Trata-se de um momento de transição que gera uma crise.

Outro jornalista, José Alencar Diniz, doutor em Comunicação, destaca estudos que indicam que o jornal impresso vai virar peça de museu até o ano de 2044. Mas ressalta que o impresso só vai ficar obsoleto se continuar exatamente com esse modelo atual. O jornalista ainda recapitula que, na era digital, o jornal de hoje chega envelhecido na casa do leitor.

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