Desordem de segunda-feira

Publicado em 5 de dezembro de 2016
por Welington Gonzaga
Desordem de segunda-feira
# Reflexão #
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O despertador do celular estava programado para tocar às 4:30 da manhã. Talvez ele tenha até tocado, mas, infelizmente, só fui acordar às 6:24. Foi um susto! Precisava estar na rodoviária do Tietê, em São Paulo, às 7:00 para embarcar num ônibus com destino a Minas Gerais.

A passagem já estava comprada: Viação Bragança, plataforma 21, poltrona 23. Mas não daria mais tempo de embarcar. Seria impossível andar até o ponto de ônibus, pegar o circular, descer no terminal Butantã, pegar o metrô, passar para a Linha 1 na Luz e descer no Tietê em apenas 30 minutos.

A sensação de ser a pessoa mais irresponsável do mundo por não ter acordado com o despertador – ou ter acordado e, inconscientemente, ter desligado o aparelho e caído no sono novamente – dominava a existência. A consequência mais negativa de não embarcar no horário previsto era não conseguir chegar ao trabalho no horário que deveria, às 13:00, a mais de 300 quilômetros de distância de onde estava.

Havia outros impactos negativos: perder o dinheiro gasto na primeira passagem; gastar mais dinheiro na compra de uma nova passagem; sentir a insegurança de não saber se haveria passagem disponível no próximo horário; e, a longo prazo, pensar a possibilidade de perder o vale-alimentação do mês seguinte que, normalmente, não é pago aos funcionários faltosos.

Não havia como escapar das desordens da segunda-feira. O melhor a fazer era respirar fundo e seguir os planos do dia, claro, adiando (mais ou menos) em três horas todos os compromissos previstos. Assim, o embarque das 7:00 aconteceria somente às 10:00. O início do expediente às 13:00 aconteceria às 15:30 e, consequentemente, o fim passaria das 19:00 para as 21:30. Esse era o novo plano!

Já dentro do ônibus era preciso avisar a quem necessário fosse sobre as desordens do dia. Apenas um e-mail e três mensagens de WhatsApp ajudaram a promover um pouco de paz interior. Não havia muito mais coisas a fazer. As opções eram bem limitadas: ler ou dormir. O café forte – que custou R$7,00 o copo com apenas 200ml no Terminal Rodoviário do Tietê – viabilizou mais a primeira opção.

O jornal do dia já estava disponível em sua versão digital e, com o desequilíbrio emocional típico de quem vive um dia bagunçado, o ideal seria partir direto para a leitura do horóscopo. A explicação para esse caos poderia estar nas previsões de algum guru da astrologia. O que estava escrito para o signo de Virgem oscilava, então, entre o estarrecedor e o profético: “Permita acontecer uma dose maior de desordem da que normalmente você toleraria. Hoje é um desses dias que quanto mais você se esforçar para colocar ordem, mais detalhes surgirão para aprofundar ainda mais a desordem“.

Agora, penso, como alguém ainda poderia achar que horóscopo não serviria de nada? Minha conclusão: minhas tias maternas sempre estiveram certas em crer nas previsões de João Bidu. Horóscopo não é bobeira! É material para autoajuda e meditação. A experiência desta segunda-feira ensinou que, além da coluna da jornalista Vanessa Barbara, no Estadão – que hoje tratou justamente sobre meditação – preciso ler mais vezes as previsões dos signos.

Um Comentário

  1. Welington Gonzaga disse:

    Deixe seu comentário a respeito desse texto. Já aconteceu de você também ter um dia regido pela desordem? Como foi a experiência? O que fez para contornar os problemas? Compartilhe seu aprendizado.

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