A baianidade em “Ó Paí, Ó”

Publicado em 13 de setembro de 2016
por Welington Gonzaga
A baianidade em “Ó Paí, Ó”
# Cultura #
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Ninguém precisa ir pessoalmente ao Estado da Bahia para poder dar uma opinião sobre o que significa ser baiano. Isso também vale para o que se pensa dos paulistas, dos cariocas, dos mineiros, dos gaúchos. Essa facilidade para definir as características de um povo a partir de estereótipos vem da exposição de arquétipos divulgados pela mídia. A partir de uma telenovela da TV Globo qualquer indivíduo tem a impressão de saber o que significa a tal baianidade.

A maneira como a identidade de um povo é representada passa por evoluções. A interpretação da baianidade talvez seja uma na década de 1960 e outra completamente diferente no final dos anos 1990. A Bahia de Jorge Amado é bem diferente da Bahia que lucra com a Axé Music. Mas em qualquer época o que se pode afirmar é que toda representação da tal baianidade mescla o real e o que é idealizado. Os clichês fortemente associados a uma identidade permanecem.

Ó Paí, Ó“, lançado em 2007 e dirigido por Monique Gardenberg, é uma comédia musical que reúne vários estereótipos. Há elementos que durante várias gerações serviram (e ainda servem) de referência sobre o que vem a ser a tal baianidade. Todo brasileiro sente-se, assim, capaz de opinar sobre os costumes e as características da Bahia. Mas, infelizmente, muitos desses brasileiros sequer sabem distinguir os baianos dos alagoanos, dos pernambucanos, dos potiguares, etc. Na verdade, o que muitos consideram é que a maioria dos nordestinos é composta de baianos.

O fato de a baianidade possuir mais força no imaginário dos brasileiros acontece porque há uma maior propagação da cultura baiana na mídia. Por que as pessoas têm mais dificuldade para definir um sergipano ou um paraibano do que um baiano? Tudo isso graças à representação de uma cultura nos meios de comunicação.

Essa representação vale para características positivas e negativas. Embora mesmo as negativas soem como legítimas, natas e essenciais. Além disso, quem será capaz de negar, por exemplo, que existe romantismo na maneira de representar até as mazelas e as aflições de um povo? Em certa medida isso está evidente também no filme “Ó Paí, Ó”. A baianidade é mais uma construção simbólica a partir de uma cultura que serviu de base. Mas, hoje, a baianidade do mundo real chega a ser influenciada pela baianidade propagada nos meios de comunicação. Se não é igual ao que a mídia reproduz, não é o original.

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