Tarzan agora é bodybuilder

Publicado em 7 de agosto de 2016
por Welington Gonzaga
Tarzan agora é bodybuilder
# Cinema #
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A nova versão cinematográfica do rei da selva, que ainda está em cartaz no Brasil, pode ser entendida como uma obra de contemplação ao abdômen masculino. Com as imagens de divulgação do filme, principalmente trailers e pôsteres, o público já entra na sala de cinema aguardando o momento em que o Tarzan irá aparecer descamisado. O diretor, então, enrola um pouco para aumentar as expectativas do público. Porém, erra na dosagem e cansa logo no início.

A Lenda de Tarzan” (2016) é apenas mais um exemplo de filmes recentes que se apoiam na estética masculina para atrair o público. Outros exemplos da lista são “Magic Mike” (2012) e “Magic Mike XXL” (2015), e, menos escancarados, os filmes de “A Saga Crepúsculo” (2008-2012). Nesses últimos o lobo Taylor Lautner aparecia sem camisa em algumas cenas. É uma fórmula que deu certo no cinema, já que atrai homens e mulheres.

Esse padrão idealizado do corpo masculino está muito evidente na nova versão de Tarzan. O ator sueco Alexander Skarsgård ostenta uma força muscular que parece não pertencer ao mundo real. Efeitos especiais e retoques digitais provavelmente trouxeram ainda maior desenvolvimento muscular ao Tarzan. Mesmo na selva, ele mantém o corpo europeu depilado e musculoso.

O cinéfilo bodybuilder vai sair da sala de cinema querendo saber qual planta natural provoca aquela dilatação exuberante nos vasos sanguíneos do novo Tarzan de Hollywood. Qual seria também a dieta capaz de deixar a pele tão fina e o percentual de gordura do corpo tão baixo? Tudo isso, no caso de Tarzan, em pleno século XIX.

A valorização dessa boa forma física é uma realidade contemporânea. No cinema, na televisão e, principalmente, na internet não faltam imagens de pessoas saradas e atléticas. Não se trata apenas de saúde ou de qualidade de vida, mas, sim, de estética. É o tal chamado #lifestyle, assim mesmo, popularizado com hashtag nas redes sociais.

Há uma busca constante pela boa aparência porque se compartilha a ideia de que o padrão de beleza é o atlético. As pessoas não param para refletir sobre que elas realmente gostam ou acreditam ser uma boa forma individualmente. Há apenas a absorção de um padrão definido para todos. O pensamento hegemônico é o de que a massa magra representa sucesso e a gordura representa fracasso. Essa ideia é errada, é opressora, é preconceituosa, é discriminatória, mas é uma realidade.

O cinema talvez seja um dos segmentos que mais contribui para o estabelecimento desse padrão de beleza. O ideal propagado pela sétima arte está longe do natural. Considerando apenas o conceito contemporâneo de beleza masculina, o que se verifica é uma super valorização do abdômen trincado, ombros largos e braços volumosos. Os filmes de heróis provam essa teoria. Não há espaço para os fracos no cinema. A ideologia da força sobre-humana quer que cada indivíduo desperte seu lado “Capitão América” ou, agora, “Tarzan“.

Um Comentário

  1. Welington Gonzaga disse:

    Você também já assistiu ao novo Tarzan? O que achou? O que mais gostou e o que menos gostou? Mas se você ainda não assistiu, segue o trailer para você despertar (ou não) a vontade de assistir. Deixe sua opinião!

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