Autoestima restaurada

Publicado em 6 de agosto de 2016
por Welington Gonzaga
Autoestima restaurada
# Rio 2016 #
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A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Rio 2016), realizada na noite desta sexta-feira (05/08), no Maracanã (assista aqui), recuperou parte da autoestima perdida pelos brasileiros nos últimos anos. A insatisfação consigo mesmo decorria de um cenário de imensurável corrupção, de crise política e econômica, de frustrações futebolísticas, de instabilidade social, entre outros motivos.

Por essas razões o jornal norte-americano “The New York Times” destacou, no dia seguinte à abertura dos jogos, que a cerimônia teria sido um “bálsamo para disfarçar as feridas por algumas horas“. Tal ponto de vista não tira os méritos da festa de abertura, mas serve de alerta aos brasileiros. Quer dizer que o povo não deve perder a consciência dos tempos difíceis pelos quais passa, que não deve se iludir com o espetáculo dos Jogos Olímpicos e que os desafios sociais a serem superados ainda são muitos.

Desde a solenidade de abertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, havia certa desconfiança de que um sentimento de inferioridade se repetisse com os Jogos Olímpicos. O temor era ainda maior em relação às possíveis comparações com a cerimônia de Londres, em 2012. Porém, se os britânicos mostraram ao mundo seu Shakespeare e seus One Direction & Spice Girls, o Brasil mostrou sua Gisele Bündchen e seus Caetano Veloso & Gilberto Gil.

A imagem positiva transmitida para o mundo, ontem, ajuda a restabelecer um pouco a confiança do brasileiro em si mesmo. O Brasil é um país rico natural e culturalmente. A diversidade está na gênese do brasileiro. Os elementos que fizeram parte da sua constituição vieram dos africanos, dos asiáticos, dos europeus – notadamente portugueses, italianos – dos índios nativos, dos árabes, enfim, de várias culturas que passaram a compor uma só: a cultura brasileira.

Agora as cores verde e amarelo da bandeira nacional já não mais remetem apenas ao futebol. É um novo tempo em que o nacionalismo se distribui mais justamente a todas as modalidades esportivas. É no judô, no handebol, na ginástica, no vôlei, no futebol feminino, etc. O talento do Brasil não é mais exclusividade do futebol masculino. A população passa por um processo de reconstrução dos signos que lhe dão orgulho, que lhe conferem unidade no aspecto cultural e esportivo. Tudo isso acontece no momento oportuno das Olimpíadas!

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