O clássico e o remake:
“O dia em que a Terra parou”

Publicado em 18 de agosto de 2016
por Welington Gonzaga
O clássico e o remake: <BR>“O dia em que a Terra parou”
# Cinefilia #
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Assistir aos filmes originais e suas novas versões é um exercício recomendável para quem quer desenvolver um olhar cinéfilo. É uma maneira de compreender as tecnologias disponíveis ao cinema de cada época, perceber que existem diferentes formas de se contar uma mesma história e, ainda, identificar os acontecimentos do mundo real que permeiam as produções audiovisuais. Duas obras que permitem essa apreciação comparativa entre o clássico e o remake são “O dia em que a Terra parou“, respectivamente, de 1951 e 2008 (veja os trailers).

São filmes que refletem sobre a atuação do ser humano no planeta Terra sob o ponto de vista de um alienígena. A primeira versão, dirigida por Robert Wise, foi realizada ainda na era do cinema em preto e branco. Os efeitos especiais talvez não impressionem tanto o público de hoje, mas, certamente, atraíram muitas pessoas aos cinemas quando foi lançado. O filme original não tinha a computação gráfica da atualidade, mas contava com técnicas criativas de efeitos visuais, o que pode ser observado no sobrevoo e no pouso da nave alienígena em Washington.

A refilmagem foi lançada 57 anos depois da produção original. O remake levou a visita extraterrestre para a cidade de Nova York e, no lugar da nave, uma grande esfera pousou no Central Park. Apesar dos efeitos especiais avançados, ainda assim o robô Gort que acompanha o alienígena recebeu traços e movimentos um pouco artificiais. Gort parece um esboço do Robocop de José Padilha — outro remake de 2014.

No elenco da nova versão de “O dia em que a Terra parou” estão Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates, Jaden Smith, entre outros famosos. Reeves vive o protagonista alienígena Klaatu que tem forma humana e consciência extraterrestre. Connelly é uma cientista especialista em astrobiologia que se torna cúmplice do alienígena quando ele foge do governo dos Estados Unidos. Bates é a Secretária de Defesa do governo americano que tem pulso firme para lidar com as ameaças.

O longa é permeado pela ideologia de supremacia norte-americana. Isso se manifesta desde o diálogo, no remake, entre duas gerações de alienígenas dentro de um McDonald até a força militar presente no filme original. Ambos filmes não perdem a oportunidade de exibir ao mundo o potencial bélico dos Estados Unidos. Aliás, Hollywood recebe incentivo a seus roteiros apocalípticos para que os Estados Unidos possam sempre salvar o mundo.

Nas duas versões de “O dia em que a Terra parou” os seres humanos consideram os alienígenas uma ameaça, mas, na verdade, são os próprios homens que ameaçam uns aos outros e a vida no planeta. O extraterrestre vem apenas transmitir a mensagem e alertar a humanidade sobre seus erros. Vale ressaltar que o primeiro filme foi lançado no período de início da Guerra Fria. Por isso o discurso de Klaatu chama atenção para o perigo do enfrentamento armado entre as diferentes nações — principalmente entre Estados Unidos e a extinta União Soviética. Já o segundo filme foi lançado no século XXI, na era da globalização, quando outros temas polêmicos como poluição, desmatamento, guerras civis e epidemias são ameaças ao futuro da vida no planeta.

Tal posicionamento fica evidente no remake quando o alienígena diz que “esse planeta está morrendo” e que “os humanos estão destruindo o planeta“. A cientista questiona se o alienígena “veio para ajudar?“. A resposta sincera dele: “Não. Não vim“. A cientista o confronta: “Mas você disse que veio nos salvar“. Ele corrige: “Disse que vim salvar a Terra“. Ela, então, compreende: “Veio salvar a Terra… de nós“. A crítica à atuação do ser humano fica completa com a seguinte fala de Klaatu: “Não podemos arriscar perder o planeta por causa de uma espécie. Se você morrer, a Terra sobrevive. Há poucos planetas no cosmos capazes de suportar vidas complexas“. A cientista insiste dizendo que o ser humano pode mudar. “Observamos e esperamos que vocês mudassem. Precisamos agir. Corrigir o que fizeram. Dar à Terra a chance de recomeçar“, completa Klaatu.

Um Comentário

  1. Welington Gonzaga disse:

    Qual sua opinião sobre os clássicos e seus remakes? Geralmente você gosta mais dos filmes antigos ou de suas novas versões? O que achou da refilmagem de “O dia em que a Terra parou”? Deixe sua opinião aqui nos comentários.

    Para quem é assinante da Netflix, até a data da publicação desse artigo o remake de “O dia em que a Terra parou” estava disponível na plataforma de streaming. Para conferir, basta clicar aqui.

    A seguir os trailers, respectivamente, do remake e do clássico.

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