Música como oração

Publicado em 4 de agosto de 2016
por Welington Gonzaga
Música como oração
# Arte e fé #
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Em Varginha, Sul de Minas Gerais, um grupo inserido no movimento de Renovação Carismática da Igreja Católica chamado “Banda Veste Nova” desenvolve um trabalho musical que soa como uma verdadeira oração. Os shows são como os de bandas convencionais, com luzes, fumaças e um público animado na frente do palco. Mas a diferença está nas mensagens das composições interpretadas pela banda, com refrões simples e animados nos quais é possível perceber a manifestação da fé. Há ainda uma grande imagem de Maria num dos cantos do palco, dando ao mesmo uma aura de altar. Tudo resulta em energia e alegria que contagiam positivamente o ambiente, fazendo com que até a ala mais tímida da plateia fique animada.

Não se trata de um show ensaiado friamente, daqueles em que os músicos apenas seguem um setlist, pois existe sinceridade ali nas palavras que o vocalista troca com o público. Há verdade também no som emanado dos instrumentos. E nessa atmosfera mesmo quem é “de fora”, ou seja, mesmo quem não é católico, sente a acolhida e a sensação de ser bem-vindo. Não se trata apenas de uma apresentação.

Para alguns esse tipo de relato pode dar a impressão de ser apenas uma experiência antropológica, mas, de fato, existe algo a mais nesse tipo de manifestação de fé mesclada com arte. Quer fazer uma experiência em casa? Acesse o YouTube e busque pelo canal de uma cantora popular entre os seguidores da Doutrina Espírita chamada Margarete Áquila. Ela também faz um trabalho de evangelização através da música, embora siga outro estilo musical.

São canções que inspiram a reflexão e podem trazer conforto para a mente humana que passa por qualquer tipo de tormenta ou atribulação. Há uma harmonia na música que irradia energia positiva para o ambiente. Isso faz com que o indivíduo entre em processo de reflexão, sentindo a mesma sensibilidade de um momento de uma oração. É aquele momento de comunicação com as forças superiores, com os espíritos de luz, com Deus, independentemente da religião ou da crença que a pessoa acredite.

As ansiedades e os problemas muitas vezes impedem a conexão com o espiritual. A objetividade do mundo moderno limita a palavra ‘conexão’ ao universo digital, sendo que a conexão mais importante não tem relação com bits e bytes, mas, sim, com a espiritualidade. O mundo parece exigir que as pessoas sejam céticas. É uma pressão que ninguém sabe de onde vem, mas que aos poucos deixa o ser humano mais bruto e insensível. É preciso ultrapassar a barreira da descrença. A música pode, então, auxiliar na ruptura dessa barreira. Mas não se trata de qualquer tipo de música.

O que não faltam são exemplos de cantores e bandas que evangelizam através das notas musicais. Trata-se de um filão valioso da indústria fonográfica que é comercialmente explorado no Brasil e no mundo. Talvez para as gerações acostumadas aos funks, aos sertanejos e aos axés com mensagens de conteúdo sexual e de incitação aos vícios (como álcool e outras drogas), as bandas e cantores “de Deus” possam parecer caretas, mas, após a experiência, farão muito mais sentido para a vida.

Participar de um show de louvor ajuda a compreender a música como oração. Compartilhar a vibração positiva de uma apresentação gospel, evangélica, espírita – ou seja qual for a denominação de cada contexto – é uma experiência surpreendente. A expectativa, agora, é pelo lançamento do CD da banda varginhense “Veste Nova”, que, certamente, terá toda a energia de seus animados shows.

2 Comentários

  1. Welington Gonzaga disse:

    O show da banda Veste Nova aconteceu no Teatro Mestrinho, em Varginha, ontem (03/08). Segue um trecho da apresentação gravado pelo celular.

    Qual sua opinião sobre os cantores e bandas que fazem um trabalho de evangelização? Qual o seu artista preferido neste segmento? Compartilhe suas opiniões a respeito desse assunto. Afinal de contas, ainda existem muitas pessoas com preconceitos em relação à música como manifestação de fé.

  2. Íris Jatene disse:

    Showzaço! Adorei!
    Mesmo sendo “de fora”, quando percebi, já estava cantando junto!
    🙂

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