Ainda sobre as palavras…

Publicado em 29 de julho de 2016
por Welington Gonzaga
Ainda sobre as palavras…
# A Escrita #
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A primeira coisa a se fazer ao acordar é dedicar alguns minutos às palavras. A partir do momento que houver essa dedicação à organização das ideias você perceberá que terá maior controle sobre sua vida. Vai superar a ansiedade de quem quer sempre escrever, mas nunca consegue.

Existem estudos que dizem que a prática da escrita funciona como uma meditação, pois as palavras que não saem da mente podem se acumular ao longo do tempo e, assim, fazer barulho nos pensamentos do indivíduo. Um dos segredos para preservar a mente calma está em exteriorizar aquilo que agita as reflexões. Escrever é como conversar consigo mesmo. E tal conversa apenas se desenvolve quando se tem conteúdo e planejamento. Conversa tumultuada não passa de discussão.

O ser humano faz planos durante toda a vida. Quem nunca, por exemplo, pensou em escrever um livro? Mas a maior parte das pessoas, infelizmente, não segue nessa jornada. A falta de planejamento acaba por ceifar excelentes ideias e histórias, pois não basta criatividade para manter o foco num projeto que envolva o trabalho com as palavras. É necessário disciplina e criação de um hábito. Considere a escrita como um treino de musculação. As palavras exigem que se tenha pelo menos uma hora de atividade diária para que, depois de muito suor, quiçá ao longo de vários anos, finalmente se perceba um efetivo crescimento “muscular”. Não há como ser um “fisiculturista das palavras” se não se começar a “ir à academia” todos os dias. Seguindo essa analogia, se escrever é como treinar, ler outros textos é tão importante como uma dieta.

O desafio é escrever pelo menos três páginas ao dia, de preferência pela manhã. Pode parecer cansativo no início, mas a expectativa é que melhore com o passar do tempo. É preciso transformar o escrever em algo natural. Quem já lida com as palavras através da profissão não está isento de preocupações. Não é porque se é jornalista ou professor, por exemplo, que se deva ter a obrigação de escrever sempre bem. Para escrever cada vez melhor é preciso que tal atividade seja um hábito. Para isso é preciso buscar o prazer da escrita e, ao mesmo tempo, desvencilhar-se da ideia de que trabalhar com as palavras seja algo cansativo. Não crie expectativas em relação aos seus textos.

Desconsidere também as expectativas das outras pessoas em relação aos seus textos. A cobrança alheia acaba por tolher as ideias mais criativas. Para dar um passo adiante, é preciso diminuir a importância das opiniões e das críticas. Escreva para você mesmo! A única satisfação importante é a própria. Não se trata de egoísmo, mas de sobrevivência diária no labor da escrita.

Olhar para uma página em branco é como estar numa sala escura. Imagine, então, que se tem um isqueiro nas mãos. Esse isqueiro simboliza a atividade de escrever. Para iluminar a escuridão é preciso apertar e segurar o isqueiro. Com as palavras é a mesma coisa. Não adianta acionar espaçadamente o isqueiro para iluminar o ambiente. É preciso se manter firme na escrita para que a sala fique iluminada. É uma metáfora que pode ajudar na compreensão da importância do hábito de escrever.

A preocupação antecipada com a pontuação, a conjugação do verbo, a crase, a acentuação, entre outros, pode reduzir o ritmo da escrita. As regras bloqueiam as ideias. O erro comum de quem escreve é pensar em acertar o tempo todo. Parece que os leitores já estão tendo acesso ao seu texto desde o momento da escrita. Não é assim que as coisas funcionam. Por isso não se deve pensar nas regras gramaticais no momento da composição. Saber que a palavra é escrita com “s” ou com “z” não faz a menor diferença na etapa inicial do trabalho. A revisão compreende uma etapa posterior.

A ordem ideal é escrever livremente, ler o que escreveu, acrescentar algo, retirar algo, melhorar o que não ficou tão bom, corrigir grafias equivocadas, mudar a ordem de alguns trechos para obter a melhor coerência, reler o que escreveu, deixar o texto descansar (aproveite esse momento para dar uma volta, sair, espairecer, descansar, relaxar, desconectar-se do texto) e, depois, voltar e fazer uma última leitura para, então, assinar o que escreveu e publicar.

Um Comentário

  1. Welington Gonzaga disse:

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