Bem-informado pelo Facebook?

Publicado em 3 de junho de 2016
por Welington Gonzaga
Bem-informado pelo Facebook?
# Opinião #
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A busca dos brasileiros por notícias nas redes sociais, principalmente no Facebook, é um fenômeno que se deve a diversos fatores. Um deles é a popularização que a rede social criada por Mark Zuckerberg conquistou no Brasil, assim como nos demais países. A abrangência de público é tão grande que o fluxo de informações compartilhadas e publicadas é enorme, sendo, assim, possível encontrar conteúdo sobre os assuntos mais variados. E a partir do momento em que o usuário encontra resultados positivos para sua busca, aumenta consideravelmente a probabilidade de retornar à mesma rede social para pesquisas futuras e, consequentemente, esse usuário cria um novo hábito.

Os algoritmos criados pelo Facebook também otimizam as pesquisas e atividades do usuário dentro da rede social. Consequentemente, uma experiência bem-sucedida fará com que o usuário retorne outras vezes para fazer pesquisas dentro da rede social. Outro aspecto positivo é que o feed de notícias do Facebook destaca as publicações que receberam mais comentários e curtidas, ou seja, automaticamente leva o conteúdo mais popular ao encontro do usuário — o que o agrada. Além disso, a possibilidade de ajustar as configurações do Facebook e escolher o que realmente quer visualizar em sua linha do tempo faz com que muitas pessoas deem preferência para essa rede social.

Mas o usuário que prioriza a busca por notícias no Facebook também está sujeito a pontos negativos. Dados recentes divulgados pela própria rede social indicam que houve um aumento na divulgação de notícias falsas, mesmo após medidas adotadas pela plataforma para evitar a difusão de conteúdo duvidoso. Alguns especialistas da área da comunicação dizem que é uma “guerra da desinformação”. No Brasil, durante a recente semana de votação para abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados, por exemplo, três das cinco notícias mais compartilhadas no Facebook eram falsas, conforme divulgou o site da BBC Brasil.

Diante do cenário atual em que as pessoas buscam cada vez mais as informações nas redes sociais, os meios de comunicação tradicionais também têm buscado divulgar seus conteúdos por meio dessas plataformas. Jornais impressos de circulação nacional como o Estadão e a Folha de São Paulo, por exemplo, divulgam links para suas notícias através do Twitter e Facebook. É uma maneira de chegarem imediatamente aos leitores, já que cada vez mais o público está conectado a essas redes sociais através de seus dispositivos móveis. E o que se percebe é que os conteúdos compartilhados nas redes sociais recebem muito mais comentários e compartilhamentos.

Esse novo contexto de consumo de notícias tem prós e contras: se por um lado há uma maior divulgação de informações, por outro evidencia uma tendência cada vez maior das pessoas buscarem textos extremamente objetivos. É comum, por exemplo, encontrar usuários que se sentem bem informados após lerem apenas títulos ou manchetes de notícias.

As redações jornalísticas acabam tendo de se adaptar a essa nova realidade. Hoje existem profissionais especializados em produzir conteúdos para as redes sociais e em administrar contas/perfis em diversas plataformas. A objetividade dos textos e a estruturação de modo a despertar impacto e curiosidade no internauta são apenas alguns aspectos dessa nova maneira de fazer jornalismo. Como se trata de um fenômeno recente, as redações convencionais ainda estão em processo de transição para esse novo modo de fazer jornalismo contemporâneo e digital.

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O conteúdo desta publicação foi escrito originalmente para uma avaliação modular de um curso de pós-graduação em “Produção de Conteúdo em Jornalismo”

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