Três trevos que não valem um

Publicado em 3 de Maio de 2016
por Welington Gonzaga
Três trevos que não valem um
# Perigo na rodovia #
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Quem conhece Alfenas? É uma cidade do Sul de Minas Gerais banhada pelo Lago de Furnas. É também conhecida nacionalmente pelo seu Carnaval fora de época, além de ser um polo microrregional nas áreas da educação e da saúde.

Mas mesmo que seja uma cidade boa para se viver ou se visitar, tem um grande defeito: os trevos de acesso à cidade são horríveis. O principal deles é caótico e, para se ter uma ideia, assemelha-se àquele trânsito da Índia (que a gente vê na TV ou em vídeos na internet), em que os veículos andam em todas as direções, aparentemente sem regras, e, mesmo assim, poucos acidentes acontecem. Os outros dois trevos também estão localizados na mesma rodovia – a BR-491 – que dá acesso ao perímetro urbano de Alfenas, mas são igualmente perigosos para quem trafega por ali.

São trevos estreitos, que nem de rotatórias merecem ser chamados, pois mais parecem armadilhas de pegar motoristas inexperientes ou que passem no local pela primeira vez. Tudo isso, pior, sem contar a falta de manutenção no mato que cresce nos canteiros e nas margens da estrada. É um milagre não haver acidentes graves com freqüência.

Talvez por isso nada mude. No Brasil, a maioria dos problemas tem solução somente quando se tem vítimas fatais. Enquanto o dano for apenas material, nos veículos, não se buscará a melhoria.

E, infelizmente, as pessoas passam passivamente pelo local. Nem o fato de o principal trevo dar acesso também a uma grande instituição de ensino, a Unifenas, faz alguma diferença. Talvez até existam iniciativas ou reivindicações por parte da universidade para que obras sejam realizadas no local, mas nada que tenha sido amplamente divulgado.

Até o momento a impressão que se tem é de que a universidade “contribui” apenas para que, em determinados horários, o fluxo de carros seja ainda maior. Há também os estudantes que se expõem ao risco de tentar carona em meio ao caos do trevo. Será preciso que alguém seja sacrificado no local para que finalmente se proponham melhorias?

Trevos perigosos não são exclusividade de Alfenas, certamente. Lembro, por exemplo, que anos atrás a cidade de Guaxupé, também no Sul de Minas, chegou a ter um trevo batizado de “Trevo da Morte” pela população. Mas quando acidentes fatais no local deixaram de ser exceções, surgiram projetos para alteração do trevo. A realidade hoje, felizmente, é outra, pois o local ficou mais seguro. Apenas ocasionalmente há sinistros.

Guaxupé e Alfenas, curiosamente, são municípios próximos. Mas a boa iniciativa de um ainda não serviu de exemplo ou inspiração para o outro. Em Alfenas, por enquanto, são três trevos que não valem um.

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