O repórter e a passagem criativa

Publicado em 20 de maio de 2016
por Welington Gonzaga
O repórter e a passagem criativa
# Telejornalismo #
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Lembro como se fosse hoje da aula de Telejornalismo em que a professora ensinava aos alunos do curso de Comunicação Social o que era uma passagem. Ela caminhou pela sala do laboratório como se estivesse no local de uma reportagem e, assim, deu um bom exemplo acerca do que se referia aquele termo do jornalismo de TV.

Passagem é quando o repórter aparece no vídeo. Geralmente é usada para mostrar que o repórter está no local da notícia e, assim, tem propriedade para falar sobre o assunto em questão. A passagem serve também para passar algum dado importante sobre o qual não se tem imagens relacionadas ou para fazer alguma transição na abordagem do tema.

A passagem possibilita também que o repórter “assine” a sua matéria, ou seja, que ele escreva seu nome ou coloque sua marca no conteúdo que produz. É um recurso usado ainda para tornar a reportagem mais criativa, descontraída e interessante para quem assiste. A audiência consegue conhecer um pouco melhor a personalidade do repórter por meio da passagem. Claro que o estilo de um repórter não está necessariamente no modo de gravar a passagem, mas, sim, na sua maneira de estruturar a reportagem como um todo. A passagem é apenas mais um detalhe que define a reportagem.

Quem assiste a uma reportagem bem feita não imagina o quanto é difícil executar esse tipo de atividade. E nem precisaria! Afinal, é dever do jornalista fazer um bom trabalho para o seu público. O fato é que, geralmente, quem assiste a um telejornal está numa posição confortável e, por isso, tende a considerar que as condições de trabalho do jornalista são similares às suas no momento em que assiste. Mas não é bem assim. Repórter de rua cansa e transpira bastante. Mas no momento de gravação da passagem há o cuidado estético para que o fuzuê da apuração e dos bastidores não fique evidente no vídeo. O rosto precisa estar bem iluminado e a pele com uma camada de pó que tire o brilho e esconda a oleosidade.

Assistir a um jornal na TV fica até mais prazeroso quando se aprende a identificar uma passagem bem executada. Um bom exemplo pode ser visto nesta quinta-feira (19) no Jornal Nacional, da Rede Globo, numa reportagem que o jornalista Felipe Santana gravou em Nova York para noticiar o desenvolvimento de um robô-abelha por pesquisadores da Universidade de Harvard. Nada mais é que um pequeno robô capaz de ficar parado no ar. o correspondente internacional recorreu ao uso da passagem para explicar como os cientistas chegaram ao insight que garantiu a novidade.

“O momento eureca foi quando os cientistas lembraram de uma força, velha conhecida, mas que perceberam que podia ser aplicada à essa nova engenhoca. Quer ver? Acho que você já fez alguma coisa assim. É um balão que você esfrega no cabelo. Viu?! Ele fica grudado. É que a fricção do balão com o cabelo encheu ele de eletricidade estática. E foi isso que os cientistas usaram”, diz o jornalista em sua passagem. A reportagem completa está disponível no site do Jornal Nacional, neste link.

Esse exemplo é uma simples demonstração de como a criatividade pode ser útil no jornalismo. Através da passagem com um balão, o repórter foi capaz de fazer com que qualquer pessoa viesse a compreender o princípio usado pelos cientistas. Apesar da simplicidade, houve cuidados como o de gravar a passagem num local bem contextualizado ao assunto do texto. Repare que o repórter está num lugar com vários balões ao fundo.

E você? Lembra de alguma passagem criativa que tenha assistido em algum telejornal? Se não, basta começar a prestar atenção nas vezes em que os repórteres aparecem em suas matérias. Certamente você vai ficar impressionado com a criatividade com que fazem isso.

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