Turismo sem vitrines

Publicado em 26 de abril de 2016
por Welington Gonzaga
Turismo sem vitrines
# Análise #
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As paisagens são as vitrines de uma região turística. A praia de Ipanema e o Cristo Redentor, por exemplo, são vitrines da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. A Avenida Paulista é uma das vitrines da imensa São Paulo. Esses locais representam bem a beleza que é atrativo para os consumidores, no caso, visitantes ou turistas. Por isso estão sempre limpas e bem cuidadas. Afinal, não há como atrair clientes sem vitrines bonitas.

Mas quais seriam os efeitos negativos de uma vitrine abandonada? Quais consequências? Uma cidade que não cuida do seu patrimônio ou de seus pontos turísticos sente os mesmos efeitos de uma loja que não se atualiza, que não se inova e que não se mostra para o seu potencial público: cai no esquecimento, fica vazia e torna-se um negócio inviável.

É preciso cuidar das vitrines. Obviamente que pela analogia esse é apenas um dos pontos necessários para o sucesso, mas talvez seja um dos mais importante. Quando alguém pretende viajar de férias, por exemplo, a escolha do destino se dá por aquele que se apresenta como a melhor opção. E quando os valores são próximos as pessoas optam pelo que tem uma apresentação mais positiva, mais bonita, ou seja, escolhem as melhores vitrines.

Os gestores que percebem a importância desse quesito investem na manutenção e divulgação de suas vitrines. Os resultados vêm com o tempo. Mas, infelizmente, por conta do descuido muitas vitrines deixam de atrair as pessoas.

No Sul de Minas, por exemplo, a maioria dos municípios cortados pela Represa de Furnas é tímida em relação às suas vitrines naturais. A justificativa talvez venha dos seguidos anos de seca que diminuíram as águas e comprometeram as paisagens da região. Mas mesmo agora, com os recentes sinais de recuperação da represa, não se verifica empenho para divulgar suas vitrines. Talvez ainda nem tenha dado tempo.

Em Alfenas, quem passa pela rodovia faz um esforço grandioso para tentar ver as águas que compõem a paisagem na beira da estrada. Mas é impossível enxergar. A vitrine, ao lado da BR-491 que corta o município, está tomada pelo mato, demonstrando o abandono e a despreocupação dos gestores com a imagem que se quer passar aos visitantes.

No ano passado o projeto Google Street View passou pelo Sul de Minas e registrou imagens desses locais. O cenário de abandono que existe há anos agora pode ser contemplado de qualquer lugar do planeta. A paisagem fica escondida, o que faz com que as pessoas simplesmente passem por esses locais. Sem atrativos, ninguém chega a parar. Os resultados são estabelecimentos pouco freqüentados cujos proprietários estão desmotivados e sem perspectiva de melhora. Além de afetar a autoestima dessas pessoas que possuem restaurantes e pousadas, afeta também a economia regional. O turismo não prospera.

É preciso priorizar e pensar o turismo como algo viável. Cuidar das paisagens e dos patrimônios é importante tanto para a cultura e para a identidade de um povo quanto para o desenvolvimento econômico regional. Mas enquanto as vitrines não estiverem bonitas, as “lojas” vão continuar vazias.

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