Corra, editor, corra

Publicado em 18 de abril de 2016
por Welington Gonzaga
Corra, editor, corra
# Editor de Imagens #
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Em algumas situações o trabalho de um editor de vídeo se assemelha ao ritmo frenético do filme alemão “Corra, Lola, Corra“, de 1998, dirigido por Tom Tykwer. É corra, editor, corra. Há uma voz incansável que fica repetindo no canto da mente do editor, lembrando que o prazo está se esgotando. Enquanto trabalha, o editor sente essa pressão.

A trilha sonora perfeita para o trabalho do editor também poderia ser “Lust For Life“, de Iggy Pop, que é a música de abertura de outro filme acelerado: o britânico “Trainspotting”, de 1996, dirigido por Danny Boyle. Esse comparativo é apenas uma maneira simplificada de fazer com que quem não é da área compreenda o ritmo exigido dos profissionais da comunicação, principalmente, quando envolve algum deadline. Para quem não o conhece, esse termo “deadline“, segundo o dicionário, refere-se ao prazo máximo para a conclusão de uma tarefa, ao momento em que um jornal está pronto para ser impresso ou, ainda, ao prazo limite para que uma matéria ou um anúncio sejam entregues.

Quem trabalha na grande mídia sente mais essa pressão. Não é o meu caso. Mas mesmo que eu faça parte de uma equipe que desenvolva um trabalho mais flexível, ainda assim existem situações em que a preocupação com o tempo se manifesta. Afinal, como se trata de um programa de TV, o telejornal tem horário para ir ao ar. Consequentemente, prazos são estabelecidos para que a falha de um não comprometa a programação ou o trabalho de todos.

A experiência faz com que se aprenda a ser um domador do tempo. O conhecimento da atividade permite que se faça uma projeção dos minutos ou horas que serão demandados para cumprir determinado projeto. Porém, mesmo quando se acredita ter dominado o frenesi surgem situações em que a correria é inevitável. Algo similar aconteceu comigo numa terça-feira, quando recebi uma solicitação para produzir um mini-documentário que deveria ser entregue na segunda-feira seguinte. Ou seja, praticamente seis dias (sendo dois deles não úteis) para produzir, agendar, gravar, editar e finalizar um vídeo. Que desafio!

Em situações como essa o ideal é fazer um planejamento viável para ser executado. No meu caso, a solicitação chegou na terça-feira à tarde (1º dia) e, por isso, os agendamentos só puderam ser encaminhados na quarta-feira, após uma reunião de contextualização do assunto (2º dia) para criação de um pré-roteiro. Na quinta-feira pela manhã (3º dia), foram realizadas as gravações em duas locações diferentes e, à tarde, foi iniciada a edição do material, além de uma pesquisa com fotos e vídeos de arquivos. Na sexta-feira (4º dia), o expediente foi reservado exclusivamente para a edição do vídeo. Após horas de trabalho ininterrupto, a prévia do vídeo ficou pronta. Sábado e domingo foram dias de folga. Na segunda-feira (5º dia), véspera da veiculação, ocorreu a finalização do vídeo.

Desta vez tudo ficou pronto com antecedência, antes do prazo previsto. O deadline foi diluído ao longo de toda a atividade. Mas vale reforçar que isso apenas foi possível porque houve planejamento plausível e, claro, o trabalho foi executado com aquela voz insistente que repetia “corra, editor, corra” a todo momento.

O resultado pode ser assistido abaixo!

Um Comentário

  1. O vídeo está temporariamente indisponível para visualização devido a uma solicitação da Secretaria de Educação de Varginha. Em breve, será possível assisti-lo novamente.

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