Quem fala o que quer, escuta o que não quer

Publicado em 17 de março de 2016
por Welington Gonzaga
Quem fala o que quer, escuta o que não quer
# Polêmica no Twitter #
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As pessoas participam das redes sociais por diferentes motivos. Uns encontram nelas a maneira mais eficaz de ficar informado e outros simplesmente buscam se conectar a amigos ou criar uma rede de contatos. Há quem aproveite o potencial das redes também para produzir conteúdo, manifestar o que pensa e comunicar com um público que possa chamar de seu. No Brasil entre as redes sociais mais populares estão o Facebook, o Twitter, o Instagram e o Snapchat.

Sou usuário dessas quatro redes, embora faça uso de cada uma delas com intensidade e finalidades diferentes. Desde o ano de 2009 mantenho um perfil no Twitter, que é minha rede social preferida. O microblog é uma ferramenta importante para o dia a dia de quem quer ficar bem informado. Durante esses sete anos tweetando nunca me envolvi em polêmicas ou discussão negativa. Até ontem.

Depois de um dia cansativo no trabalho cheguei em casa para cumprir as tarefas domésticas cotidianas de quem mora sozinho e não conta com mãe, empregada ou faxineira para ajudar a lavar, limpar e cozinhar. Após terminar o serviço de casa entrei no Twitter para ver as atualizações daqueles que sigo. O tema política estava em alta.

Li vários comentários a favor e contra a nomeação de Lula para ministro. Depois de muito ler resolvi responder a uma publicação do Felipe Neto – apenas para simplificar a quem não o conhece, ele é um popular YouTuber seguido por mais de 4 milhões de pessoas também no Twitter, ou seja, ele é uma celebridade bastante popular, uma pessoa influente da internet – que chamava a jornalista Cynara Menezes de “câncer da internet”. Como sou seguidor da jornalista e acompanho o posicionamento de esquerda dela nas redes sociais – e respeito isso, embora não concorde com tudo – publiquei um tweet resposta que, depois, fiquei na dúvida se fui ou não infeliz. Pela maioria eu fui.

Respondi ao Felipe Neto, entre outras coisas, que ele era “o típico garoto mimado que não limpa o próprio quarto e explora a mão de obra menos favorecida desse País”. Como o Twitter não permite edição em suas postagens, não tive como substituir a palavra “explora” por outra que fosse menos pesada. Talvez fosse mais apropriado eu dizer “faz uso” em vez de “explora”, já que, como muitos disseram, é uma prestação de serviço normal como outra qualquer. Mas não excluí o tweet porque pensei que ninguém viesse a ler ou repercuti-lo. Como profissional da comunicação que entende o potencial das redes sociais, cometi um grande engano e subestimei o feedback.

O próprio Felipe Neto respondeu aos meus tweets. Depois disso alguns dos seus milhões de seguidores começaram a me mencionar com palavras como “idiota”, “imbecil”, “retardado” e “mongolóide”. Eu não usei palavrões, embora tenha lido alguns direcionados a mim. A repercussão negativa já havia acontecido e não tinha o que fazer. Não pedi desculpas ao Felipe Neto de imediato apenas porque achei que ele foi ofensivo. Acredito que ele pense o mesmo de mim – que eu fui ofensivo ou desrespeitoso – mas não tive a intenção de ofendê-lo, muito menos aos seus fãs ou seguidores.

Preferi me calar temporariamente na rede a partir daquele momento. O silêncio só foi quebrado na manhã de hoje. E não fosse o “silencioso” do celular, a noite inteira teria sido com som de notificações no Twitter. Meu aparelho que é antigo quase não deu conta. Como já disse, a maioria estava me criticando. Num dos primeiros tweets de hoje escrevi que “de ontem a lição que aprendi foi que ‘o silêncio vale mais que 140 caracteres’. No @twitter qualquer coisa inflama!”. E enquanto escrevia esse post lembrei de outra coisa que ouvi certa vez: quem fala (ou escreve) o que quer, tem que ouvir (ou ler) o que não quer. É justo!

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