Pelo fim do glamour no Jornalismo

Publicado em 16 de fevereiro de 2016
por Welington Gonzaga
Pelo fim do glamour no Jornalismo
# Dia do Repórter #
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Repórter não é artista, não é estrela da televisão, não é muro para lamentações. Com exceção de Clark Kent que é um repórter da ficção, o repórter do dia a dia não é super-herói, pois não tem super poderes. Alguns confundem a competência, a responsabilidade, a inteligência, o comprometimento e a ética dos bons repórteres com super poderes. Mas essas são apenas características que deveriam ser intrínsecas ao profissional.

O repórter é um trabalhador da comunicação que desenvolve sua atividade jornalística na cobertura de acontecimentos importantes, na apuração de fatos relevantes para a sociedade, na pesquisa, na investigação, na interpretação de informações e na redação de textos que chegarão aos leitores, aos ouvintes ou aos telespectadores.

O dia 16 de fevereiro é dedicado às comemorações do Dia do Repórter. A data geralmente é marcada por manifestações de apoio, de reconhecimento e de incentivo aos profissionais da área. É um dia também que os repórteres, através das redes sociais, compartilham imagens relacionadas ao seu ofício e, sob um ponto de vista limitado, reproduzem imagens que apenas contribuem para uma visão romântica e distorcida da profissão.

O Dia do Repórter, assim como o Dia do Jornalista, em 07 de abril, deveria ser uma data para maior reflexão da categoria. Há de se comemorar, sim, mas também há de se questionar todo o sistema ao qual o repórter está inserido. As empresas de comunicação normalmente exigem muito e pagam pouco. Infelizmente, diante da saturação do mercado, muitos repórteres aceitam baixos salários, longas jornadas e calam-se diante do assédio moral que domina as redações.

Todo repórter é jornalista, mas nem todo jornalista é repórter. E a profissão de jornalista é uma das mais perigosas do mundo. De acordo com dados da organização Repórteres Sem Fronteiras (Reporters Without Borders, em inglês), no ano passado 64 jornalistas foram mortos no mundo. Entre essas vítimas havia três que foram mortas no Brasil: Gleydson Carvalho, Djalma Santos da Conceição e Gerardo Ceferino Servían Coronel.

Já em 2016, embora ainda seja apenas o 47º dia do ano, foram assassinados sete jornalistas em todo o mundo. Os crimes, até agora, foram registrados em quatro países diferentes: Guiné (1), Iraque (2), México (3) e Iémen (1). Talvez algumas pessoas possam imaginar que crimes contra profissionais da imprensa aconteçam com maior frequência em países com guerras ou conflitos. Mas se enganam em pensar dessa forma. O Brasil é um dos países mais violentos para os profissionais da imprensa. No último sábado, por exemplo, um jornalista chamado Bernardo Tabak foi agredido por guardas do Rio de Janeiro após registrar imagens de uma confusão envolvendo os agentes do Grupo de Operações Especiais. Uma imagem com os hematomas resultantes da agressão foi publicada na página pessoal do jornalista no Facebook (clique aqui e veja).

Diante desses problemas, que o Dia do Repórter do próximo ano seja menos fútil, menos egocêntrico, menos glamouroso, menos ostentação. Que seja mais questionador, mais consciente, mais cidadão.

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