Vida longa às bancas de jornais

Publicado em 9 de Janeiro de 2016
por Welington Gonzaga
Vida longa às bancas de jornais
# De olho na rua #
0

O noticiário desta semana destacou o roubo de bancas de jornais na cidade de São Paulo (assista aqui). Não se tratava de roubo tradicional em que o ladrão aborda o proprietário do estabelecimento e leva seu dinheiro. Levaram a banca inteira, como numa espécie de abdução ou desmaterialização. Ou, como disse o apresentador do telejornal, levaram a banca “com tudo dentro”. Os roubos aconteciam à noite e, no dia seguinte, o dono da banca encontrava apenas uma calçada vazia.

Mas que bom que a mídia deu atenção para as bancas. Talvez tenha sido só porque o fato é inusitado: levar uma banca seria o mesmo que um ladrão levar uma casa inteira – tal qual a gente via em desenhos animados quando era criança. O destaque nos meios de comunicação contribui para que as bancas não caiam no esquecimento.

O temor de todo frequentador de banca, até certo tempo, era de que elas desaparecem. Afinal, hoje, tudo cabe num smartphone. Até uma banca! E o que não faltam são aplicativos que leem jornais, revistas e livros. A tendência é que cada vez mais pessoas optem pela leitura digital. É mais prático, barato e acessível. Por isso seria imaginável que os dias das bancas estariam contatos. Mas, a julgar que ainda são cobiçadas até por ladrões, pode se dizer que continuam com certo prestígio.

Diante das previsões pessimistas, os proprietários de bancas também temiam o fracasso nos negócios. Em consequência da concorrência com os produtos digitais começaram a oferecer coisas que iam além de jornais e revistas. Livros em edições de bolso, DVDs, acessórios para celulares, créditos de operadoras, entre outras coisas. Algumas iam além: ofereciam óculos de Sol, sorvetes, bebidas e até lanches. A banca havia se transformado numa loja de conveniência.

Houve quem dissesse que o sumiço das bancas em São Paulo teria relação com o jogo do bicho. Mas, independentemente disso, sem julgamentos, que as bancas de jornais resistam ao tempo e à bandidagem. Assim como as bibliotecas, são fontes de informação e de conhecimento. Que as pessoas, então, não percam o hábito de visitar a banca do bairro pelo menos uma vez ao mês. É um incentivo à cultura e à economia do País. Mesmo que seja para comprar aquela revista boba, com receitas ou resumos de novelas, mas não deixe de contribuir para a manutenção desse tipo de negócio. Vida longa às bancas!

Reprodução: Jornal Nacional / TV Globo

Banca de jornais antes da ação dos ladrões. (Reprodução: Jornal Nacional / TV Globo)

Reprodução: Jornal Nacional / TV Globo

Calçada onde ficava a banca, após a ação dos ladrões. (Reprodução: Jornal Nacional / TV Globo)

Deixe seu comentário