A arte de fazer um jornal (local) diário (na TV)

Publicado em 7 de Janeiro de 2016
por Welington Gonzaga
A arte de fazer um jornal (local) diário (na TV)
# Jornalismo #
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Em sua obra “A arte de fazer um jornal diário”, o jornalista Ricardo Noblat esmiúça o processo de produção de um jornal que chega diariamente ao seu público. Embora o livro refira-se notadamente ao trabalho jornalístico no impresso, muitas das “lições” contidas em suas páginas servem também para outros segmentos do jornalismo. Afinal, apesar das diferenças e das especificidades, os diversos tipos de jornalismo possuem também semelhanças.

O primeiro aspecto comum do jornalismo impresso, televisivo, radiofônico ou digital está no trato responsável com a informação. O compromisso em levar a informação verdadeira e objetiva deve ser entendido como um princípio básico em todo tipo sério de jornalismo.

Tratando-se de um telejornal diário, o desafio maior está em colocar uma quantidade considerável de notícias num tempo predeterminado – considerado curto – de telejornal para que se encaixe perfeitamente na grade de programação. Não pode passar nem sobrar tempo. A recomendação é que os segundos sejam contatos e que todo conteúdo considerado supérfluo seja cortado, sem dó. É uma espécie de lei no telejornalismo.

Essa objetividade faz parte do formato padrão ditado pelas emissoras. Uma reportagem, por exemplo, (recomenda-se) deve ter de dois a três minutos de duração. A menos que seja uma produção especial não pode exceder esse tempo médio. Mais do que uma regra é a melhor maneira de prender a atenção do telespectador, pois, a não ser que o assunto seja extremamente interessante, quem assiste provavelmente desviará sua atenção. Isso é ainda mais provável de acontecer se considerarmos que atualmente o telespectador alterna seu olhar entre as telas da TV e do smartphone.

Essa preocupação diária do telejornalismo com o tempo aumenta o risco de ser superficial. Outra situação que eleva esse risco são os dias de menor movimento. Afinal, se em alguns dias é preciso espremer para colocar tudo num jornal só, em outros é preciso escavar fundo para encontrar alguma pedra de pouco valor para considerá-la preciosa. São os dilemas do telejornal diário, principalmente no interior do Brasil, onde se tenta reproduzir a qualidade dos noticiários dos grandes centros sem ter a equipe, os equipamentos e as notícias que lá existem.

Diante dos desafios, o livro do Noblat é “recomendado tanto para estudantes de comunicação quanto para os demais leitores que buscam livros bem concebidos e instigantes” – como já destaca o texto na capa da publicação – e serve também de suporte para todo jornalista saber que seus problemas não são só seus. São compartilhados por todos os coleguinhas.

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