366 dias de ousadias

Publicado em 1 de janeiro de 2016
por Welington Gonzaga
366 dias de ousadias
# Ano Novo #
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2016 chegou generoso com a promessa de um dia a mais para cada indivíduo. Trata-se de um ano bissexto. É aquele que acontece de quatro em quatro anos, quando em vez de 365 temos 366 dias para viver, contar, trabalhar… ou seja lá qual for o verbo de cada um. Basta uma conferida rápida na agenda ou no calendário do celular para ver que o mês de fevereiro deste ano virá com um bônus: o dia 29.

Há quem não goste de ano bissexto. É comum ouvir, por exemplo, pessoas dizendo que anos bissextos são marcados por grandes tragédias, crises, catástrofes, etc. Mas que ano da humanidade ficou livre de acontecimentos ruins? Infelizmente, nenhum! Astrólogos e numerólogos podem até ter explicações convincentes para as ocorrências negativas acentuadas nos anos bissextos, mas para os céticos é apenas um ano como todos os outros.

Para o Brasil, porém, pode ser um ano com grande potencial transformador, já que é ano de eleições municipais. Ainda que não seja possível fazer uma “limpa” nas altas esferas de poder, será possível começar uma faxina na política dos municípios brasileiros. Certamente haverá corruptos que se passarão por santos nas campanhas eleitorais de 16 de agosto a 29 de setembro, mas que cada eleitor seja sábio na escolha do voto. Que cada um utilize esse dia extra oferecido pelo ano bissexto para refletir sobre as mudanças que deseja para sua cidade. Um dia é mais que suficiente para analisar os interesses, as posturas, os passados, as propostas… até mesmos os sorrisos sinceros dos candidatos de cada canto do País. Mesmo que política seja algo culturalmente sujo (num Brasil marcado pelos interesses partidários e individuais), os cidadãos não podem perder as esperanças. Que se tenha sabedoria, sensibilidade e desconfiança para separar o joio do trigo, isto é, separar o que é bom do que é mau.

Esse discernimento vale para tudo na vida. O nosso dia-a-dia, ou seja, o nosso presente é o resultado das nossas escolhas do passado. Por isso é importante saber fazer escolhas hoje para que o futuro seja positivo, promissor. E mesmo que exista subjetividade sobre o que é bom e o que é ruim, basta fazer uma conta simples para não ficar na dúvida: se não interfere negativamente na vida das pessoas, é bom.

E mesmo diante de algo desfavorável, saiba ver o lado bom das coisas. Meu saudoso avô paterno, por exemplo, numa de suas incontáveis lições deixadas para filhos e netos, dizia ter aprendido a lidar com o fato de ter nascido num dia 29 de fevereiro de um ano bissexto. Quando lhe diziam que deveria ficar triste por não poder celebrar o próprio aniversário todos os anos, ele logo respondia: “Há também suas vantagens; se faço aniversário apenas em anos bissextos, posso dizer que tenho só um quarto da idade que me julgam ter. Quando chegar aos 100, ousarei dizer que terei apenas 25”. Que o dia extra de 2016 permita muita ousadia na vida de cada brasileiro.

 

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