Minha relação com o
“apocalipse” não é de hoje

Publicado em 24 de setembro de 2015
por Welington Gonzaga
Minha relação com o <br>“apocalipse” não é de hoje
# Dica de Livro #
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Foi ainda nos tempos de garoto que me deparei pela primeira vez com a palavra “apocalipse”. Era época de catequese com os colegas da escola. O esforço da catequizadora era para evangelizar um grupo de mais ou menos 20 meninos e meninas. Embora fôssemos muito novos, prevíamos que o “apocalipse” não era bom. Era algo relacionado ao fim do mundo, à morte, ao sofrimento. E o significado religioso estava certo, afinal “apocalipse” é o último livro do Novo Testamento, atribuído ao apóstolo João, que narra o fim do mundo. Aquilo parecia que a gente já nascera sabendo.

“Apocalipse” era uma palavra que tirava o sono das crianças. E para quem já se sentia adolescente (ou pré) o apocalipse era capaz de baixar os níveis hormonais, de espantar o interesse sexual e de evitar rebeldias típicas da idade. Tratava-se de um substantivo intimidador, educador, tolhedor.

Mesmo que aquela palavra viesse a ganhar sentido como texto bíblico, ainda permaneceria algo de ameaçador. E o medo era potencializado quando alguma Testemunha de Jeová batia à porta de casa para entregar uma de suas publicações — a “Sentinela” — com ilustrações de fogo consumindo humanos num cenário apocalíptico. Era um horror!

No final da década de 90 — já catequizado e crismado — a aproximação com o ano 2000 gerou novo temor popular. Lembro quando uma tal Mãe Dinah apareceu pela primeira vez na TV com suas previsões sobre o fim do mundo. Em vez de melhorar como ser humano, aquilo me fez ainda mais egoísta. Cheguei a incluir nas orações antes de dormir o pedido para Deus poupar pelo menos minha família do apocalipse.

E não faltou novela, filme na TV ou especulação científica que abordasse o apocalipse. Não haveria mesmo saída para a humanidade quase na virada do século XX para o XXI. “Já que o fim do mundo será inevitável, que isso aconteça com bastante aventura”, eu forçava um pensamento otimista diante do fim iminente.

Nesse esforço imaginário pela sobrevivência havia heroísmo e até lutas com mortos-vivos. Aliás, apocalipse por apocalipse, o apocalipse zumbi era o que mais fascinava minha geração. Tal fascínio vinha desde as noites memoráveis de sábados em que com meu irmão caçula jogava “Resident Evil” no PlayStation. A sensação era de que realmente salvávamos o planeta com aquele jogo.

O tempo passou! Por volta dos meus vinte e poucos anos, o encantamento pelo apocalipse voltou com uma nova série na TV. Mais uma vez com zumbis, baseada em história em quadrinhos.

Agora, com mais de 30 anos — depois de ter sobrevivido a todos os apocalipses anteriores — enfrento mais um. É um apocalipse literário. O livro em questão chama-se “O Último Policial”, do escritor Ben H. Winters. É um romance policial que tem um diferencial e tanto: toda a investigação acontece com o mundo prestes a ser destruído por um meteoro. Saber como e quando o apocalipse acontecerá (e ir percebendo a decadência da sociedade como a conhecemos) torna-se mais envolvente até que descobrir o autor dos crimes do livro.

Antes que o mundo acabe, fica a dica para você fazer mais uma leitura!

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