Contratos, gravatas, sentimentos…
O que “Cinquenta Tons de Cinza” tem de “Uma Linda Mulher”?

Publicado em 9 de julho de 2015
por Welington Gonzaga
Contratos, gravatas, sentimentos… <br>O que “Cinquenta Tons de Cinza” tem de “Uma Linda Mulher”?
# Comparando Filmes #
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Cinquenta Tons de Cinza é uma versão mais picante de Uma Linda Mulher“, resumiu a mãe de uma amiga depois de ter assistido ao filme. Apesar de todas as diferenças entre os dois longas, a comparação faz sentido.

Ambos apresentam uma relação contratual entre um casal. Em “Uma Linda Mulher“, o magnata Edward Lewis (Richard Gere) paga uma prostituta – de certa forma, num contrato de prestação de serviços – para que ela o acompanhe durante uma semana e siga suas regras. Já “Cinquenta Tons de Cinza” é mais objetivo quanto ao estabelecimento de um contrato entre as partes, ainda assim não deixa de envolver sentimentos.

Mas há um ponto no qual os dois filmes se parecem ainda mais: o deslumbramento da “mocinha” quanto ao universo do homem por quem se apaixona. O sucesso junto ao público explica-se, em parte, porque o espectador projeta a si mesmo na experiência amorosa de Vivian Ward (Julia Roberts) e de Anastasia Steele (Dakota Johnson).

Quem prestar um pouco mais de atenção poderá perceber também um elemento simbólico presente nos dois filmes: a gravata. Num dos pôsteres de divulgação de “Uma Linda Mulher“, nos longínquos anos 90, Julia Roberts e Richard Gere ficam de costas um para o outro, com ela segurando na gravata dele.

Já em “Cinquenta Tons de Cinza a gravata também está presente nas imagens de divulgação. Há um cartaz, por exemplo, em que Christian Grey segura uma gravata enrolada na mão direita, na altura do umbigo, numa referência um tanto fálica que também remete ao poder.

De acordo com alguns artigos que abordam representações simbólicas, a gravata não é só uma pequena tira de tecido que faz parte do vestuário masculino, mas remete ao poder, ao prestígio social e à masculinidade do indivíduo. Há ainda – principalmente em “Cinquenta Tons de Cinza” – uma relação desta peça com o erótico, com a sedução.

Mas não há gravatas que resolvam o problema do filme baseado no livro homônimo escrito pela britânica E. L. James. Assim como as páginas do livro que deu origem ao longa, na telona “Cinquenta Tons de Cinza” excita de maneira tímida. Talvez no livro o leitor até consiga sentir maior excitação, pois, naturalmente, a leitura é mais intimista e aguça a imaginação.

Para amarrar o espectador à poltrona (com ou sem o uso de gravatas), do início ao fim, resta ao filme apelar para um soft porn.

Um Comentário

  1. Gostei muito da comparação.
    Também acho que E. L James tenha se inspirado um pouco nesse filme.

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