Christian Grey e a Lei Maria da Penha

Publicado em 11 de julho de 2015
por Welington Gonzaga
Christian Grey e a Lei Maria da Penha
# Violência Doméstica #
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Anastasia desceu do elevador em prantos, pois não se tratava da primeira violência doméstica sofrida. “Como cheguei ao ponto de me sujeitar a tanta dor e sofrimento?“, questionava em silêncio. A partir daquele momento, Anastasia estava decidida a denunciar toda a agressão que fora vítima.

Não seria a posição social do opressor que a faria mudar de opinião. Afinal, havia leis que lhe garantiam proteção. Aquela não seria sua decisão até alguns meses atrás, mas agora a relação estava doentia demais. Havia chegado a um ponto insuportável. Para garantir sua integridade física e psicológica era preciso denunciar.

Antes de conhecer Christian Grey, Anastasia tinha poder de decisão sobre sua vida, era dona do seu próprio corpo e do seu destino. Mas desde que se apaixonara sua liberdade havia ficado em segundo plano, subjugada. Era preciso levar as agressões ao conhecimento das autoridades para evitar que outras mulheres viessem a ser vítimas dos desejos escrupulosos daquele homem.

Agora ela tinha consciência do quanto se submetera naquele relacionamento. De início, sujeitou-se aos caprichos dele não apenas porque estava apaixonada, mas também porque tinha acabado de concluir a faculdade e, sem suporte financeiro dos pais e em início de carreira, não hesitou em aceitar a proposta. Talvez por desconhecimento ou necessidade, não acreditava que a violência poderia chegar àquele ponto. Mas havia chegado. E para ela era o ponto final.

Já em frente à Delegacia da Mulher, Anastasia ainda pestanejou. “Será que Christian Grey realmente não iria mudar o comportamento agressivo caso ela lhe desse mais uma chance?“, pensou. Mas ela já havia dado muitas chances, já havia pedido para mudar diversas vezes e já havia dito que iria denunciá-lo inúmeras vezes. “Não ouse me desafiar, senhorita. Você é propriedade minha e deve obedecer ao que digo, jamais me desagradar“, falava em tom ao mesmo tempo sedutor e ameaçador.

Anastasia forneceu ao delegado detalhes do que satisfazia Christian Grey na intimidade. Além da obsessão que ele tinha por ela, mencionou um contrato de privacidade e propriedade que havia assinado no início da relação. “Não se preocupe“, disse o delegado. “Nenhum contrato pode colocar em risco sua vida ou sua integridade física“, garantiu.

Havia meses que as autoridades policiais estavam investigando o magnata Grey e seus abusos íntimos contra frágeis mulheres. Mas aquela era a primeira vez que uma delas tomava coragem para denunciá-lo. Finalmente o poderoso Christian Grey seria enquadrado na Lei Maria da Penha.

 


*O autor deste texto tem consciência da seriedade em relação ao assunto abordado e, por isso, ressalta que apenas contextualizou o tema da violência contra a mulher ao filme “Cinquenta Tons de Cinza”. Obviamente, violência doméstica e sadomasoquismo são coisas completamente distintas. Aqui não se quer polemizar ou comparar, mas apenas refletir e questionar sobre as agressões sofridas pelas mulheres em todo o mundo diariamente.

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