Virada Cultural e os vômitos da aurora

Publicado em 22 de junho de 2015
por Welington Gonzaga
Virada Cultural e os vômitos da aurora
# Em São Paulo #
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Não participei dos eventos da Virada Cultural, em São Paulo, nos dias 20 e 21 de junho.

Embora estivesse na capital paulista no final de semana, um compromisso agendado para a manhã do domingo impossibilitava a participação no evento. Se quisesse acordar cedo na manhã do domingo, precisava de uma boa noite de sono.

O compromisso era na Rua Basílio da Gama, ao lado da Praça da República. Era pouco mais de seis horas da manhã quando cheguei. Havia policiamento e poucas pessoas na rua – por conta do horário, talvez. Uma banda tocava forró, ao vivo, num dos palcos montados nas imediações. Porém, o que mais chamava a atenção não era a música, mas a sujeira espalhada pelo local.

Havia lixo e poças de vômitos que começavam na Praça da República e se estendiam estação adentro. O cheiro não chegava a incomodar, mas os vômitos exigiam atenção de quem passava pelo local para não pisar sobre eles. Qualquer descuido seria suficiente para tropeçar em pessoas caídas ao chão, bêbadas, desacordadas.

De dentro da bolha imaginária que me isolava da Virada Cultural, a cena que mais impressionou foi a de um homem deitado de bruços sobre um chão imundo, ao lado do seu próprio vômito.

Quem iria limpar toda aquela sujeira? Aquele cenário decadente seria normal? Edições anteriores da Virada Cultural também teriam sido daquele jeito? Foram algumas perguntas que surgiram de dentro do domo que me separava daquela atmosfera festiva e, ao mesmo tempo, nojenta.

Enquanto aguardava o metrô, na volta para casa, outra cena deplorável. Um jovem de vinte e poucos anos cochilava sentado no chão com as costas apoiadas numa coluna de concreto. Estava tão bêbado e sem forças que vomitava sobre a própria perna. Quando o metrô chegou, levantou com dificuldade e embarcou, deixando atrás de si um rastro de sujeira.

Cada um tem liberdade para beber e se divertir da maneira que quiser. Isso na esfera particular. Mas quando se trata de espaço público, os limites devem ser respeitados. Não se trata de questionar a viabilidade de uma Virada Cultural ou não, mas há necessidade, sim, de conscientizar o público. A questão envolve também a segurança dessas pessoas. Afinal, a possibilidade de um indivíduo embriagado cair nos trilhos, por exemplo, é muito maior.

Diante do que vi na aurora da Virada Cultural, perdi o entusiasmo para acompanhar a programação no restante do dia. Agora volto para o interior pensando que a Virada Cultural precisa ser um evento mais limpo e higiênico no ano que vem.

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