Valentine’s Day abrasileirado

Publicado em 13 de junho de 2015
por Welington Gonzaga
Valentine’s Day abrasileirado
# Opinião #
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O amor amacia o coração. Uma pessoa apaixonada fica mais gentil, educada e sensível. Então 12 de junho seria o dia oficial da gentileza, da delicadeza e da sensibilidade. O Dia dos Namorados pode até ser entendido por alguns como uma data comercial. De fato foi implantado no Brasil na década de 40, por um publicitário chamado João Dória (pai do também publicitário João Dória Júnior) que importou o Valentine’s Day dos Estados Unidos.

Mas o Dia dos Namorados foi abrasileirado. Se no exterior é comemorado em 14 de fevereiro, Dia de São Valentim, por aqui foi transferido para 12 de junho. Obviamente havia na época motivos justos para a escolha da data. Talvez porque fevereiro já seria o mês do Carnaval, ou porque sendo junho um mês frio seria mais romântico para os casais apaixonados. Também não seria esdrúxulo pensar que a escolha tenha sido motivada pelo baixo movimento do comércio nesta época do ano.

Em junho há as festas de arraiá. Porém essa tradição não envolve troca de presentes como Natal e Dia das Mães, por exemplo. “Vamos criar, então, um motivo para as pessoas se presentearem“, deve ter pensado a mente publicitária.

Assim nasceu o Dia dos Namorados, na véspera do Dia de Santo Antônio. Considerado o santo casamenteiro, não haveria data mais propícia, já que a evolução inevitável de um namoro sério é o casamento. Seja comercial ou não, pra quem já se conformou em viver numa sociedade capitalista, a data não chega a ser de todo mal.

 

QUEM FOI SÃO VALENTIM?
No Brasil, a história deste santo é pouco conhecida. Ele teria vivido no século III e sido um incentivador do amor, que celebrava casamentos. Mas seu reino estava em guerra e, por isso, o imperador Cláudio II proibiu os casamentos. O imperador considerava que soldados solteiros tinham mais compromisso com a batalha. Contrariado, Valentim começou a celebrar a união dos casais em segredo. Por essa ousadia foi preso e condenado à morte. Já na prisão Valentim acabou se apaixonando por uma jovem chamada Asterias. Detalhe: ela era cega, mas recuperou a visão após conhecer Valentim. Na véspera de sua execução, em 14 de fevereiro (daí o Dia dos Namorados ser nesta data em outros países), ele escreveu uma carta para a amada. Embora existam diversas versões desta carta, numa delas Valentim teria escrito: “Minha amada, Asterias (…) só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas (…) Esmaga-me o peso da saudade que já toma conta de mim (…) sei que quem me rejeita não és tu, meu amor desolado, mas este destino cruel que não me deu escolha (…) Encontro o meu consolo na leitura dos teus bilhetes apaixonados e na certeza do teu afeto (…) Despeço-me da vida e de ti“. São apenas trechos, mas transmitem o sentimento de um homem apaixonado.

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