“Terra em Transe” e o meu bloqueio
para falar do clássico e do cult

Publicado em 24 de junho de 2015
por Welington Gonzaga
“Terra em Transe” e o meu bloqueio <br>para falar do clássico e do cult
# Cinema #
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O Dia do Cinema Nacional foi comemorado em 19 de junho. Você comemorou? Como? Indo ao cinema ou, pelo menos, assistindo a um filme brasileiro em casa? Claro que todo contato com o audiovisual deve ser incentivado, mas datas como essa não pedem uma comédia rasa ou um blockbuster sucesso de bilheteria. É um dia para assistir ao filme essencialmente nacional, de baixo orçamento, suado, artístico, politizado, alternativo.

Há alguns clássicos nacionais que merecem ser vistos em dias especiais assim. Um deles é “Terra em Transe“, de Glauber Rocha, que marcou o movimento cinematográfico brasileiro chamado Cinema Novo. Talvez seja um filme tecnicamente antigo para os padrões e estéticas atuais, mas, ao mesmo tempo, é extremamente contemporâneo nos diálogos e nas cenas. Eldorado, embora seja um país fictício no filme, não deixa de ser um retrato do Brasil de ontem, de hoje e do amanhã.

Assistir, refletir e escrever sobre “Terra em Transe” não é fácil. É como retirar palavras das paredes de um corredor comprido e preenchido com textos e opiniões. Parece que tudo já foi dito e até de maneira mais aprofundada.

Obras importantes como “Terra em Transe“, na esfera coletiva, parecem violar a subjetividade da gente. Não é a obra em si, mas a sua importância que parece causar pressão sobre o que é certo e o que é errado entender. A impressão que se tem é a de que toda resenha já escrita sobre um filme (considerado clássico ou cult) funciona como um manual para assistir e assimilar da maneira mais adequada possível. Muitas vezes isso afasta o espectador, que chega a ter medo de não entender a complexidade ou a simplicidade de uma obra.

Ao opinar, há perigo na escolha das palavras. Cada linha chega a ser um risco. Escrever a respeito de uma obra à qual os intelectuais se apropriaram em algum momento do passado é um esforço de impossível sucesso. Por isso, embora seja extremamente importante para a trajetória do cinema nacional, não vou me arriscar a falar sobre “Terra em Transe“. Basta apenas assistir.

 

 

TERRA EM TRANSE – Dirigido por Glauber Rocha, o filme foi lançado em 1967. Dá para imaginar um filme político, questionador, poético e ousado ser lançado logo após o Golpe Militar? Trata-se de uma produção que representa um ato de bravura do cineasta, embora o filme tenha sido imediatamente considerado subversivo pela Ditadura Militar. Afinal, cinema não é só entretenimento, pois tem papel social e cultural. “Terra em Transe” não foi bem recebido pelos críticos e intelectuais na época de seu lançamento, mas o tempo trouxe a justa valorização a esse filme que é uma verdadeira metáfora do cenário político brasileiro daquele período.

Um Comentário

  1. O link do vídeo é do YouTube, ou seja, é externo, por isso não posso garantir que o filme esteja sempre disponível para que todos assistam. Aproveite e não deixe para ver “Terra em Transe” amanhã, veja agora mesmo!

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