A hipocrisia dos anúncios

Publicado em 12 de junho de 2015
por Welington Gonzaga
A hipocrisia dos anúncios
# Opinião #
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Toda propaganda se vende como verdadeira. É um princípio básico para a eficiência da mensagem, que vale para bens duráveis e não duráveis. Nos anúncios veiculados na TV, na internet, nos outdoors, enfim, em todos os lugares os consumidores são tentados a associar produtos a belas imagens e estilos de vida. Mas você já parou para questionar a hipocrisia presente na publicidade?

De acordo com uma das definições do dicionário, a palavra hipócrita refere-se à “ação ou resultado de dissimular, falsear com a verdade, as intenções, os sentimentos“. É o que muitas mensagens publicitárias fazem: maquilam as mentiras, omitem as verdades. Algumas chegam a mentir descaradamente para o consumidor.

Você acredita em tudo o que vê? Então confia, por exemplo, que a Xuxa usa produtos Monange? Ou que o Rodrigo Faro veste roupas da Colombo no seu dia a dia? Não! O dinheiro que eles ganham como garotos propaganda permite que sejam consumidores de alto padrão, de marcas que o consumidor comum talvez nunca tenha sequer ouvido falar.

Um dos segmentos que tem se mostrado cada vez mais uma prova da hipocrisia presente na propaganda é o mercado fitness. A moda é despertar o potencial bodybuilder que existe dentro de cada indivíduo. Quem tira vantagens disso são os fabricantes de suplementos alimentares.

Com a expansão deste mercado no Brasil é cada vez maior também o investimento em anúncios, notadamente com saradas e fortões. A propaganda é uma arte de conquista, principalmente visual. Mas você já se questionou se todo o volume muscular de um desses modelos fitness é conquistado apenas com o produto do anúncio? Parte considerável dos modelos faz (ou já fez) uso de hormônios e de esteroides, mas insiste em fazer fotos ao lado de produtos que não são tão determinantes assim para o ganho de massa.

Recentemente um atleta conhecido como Will Detilli publicou em seu canal no YouTube um vídeo que, de certa forma, questiona a mágica prometida pelos suplementos.

O sucesso de visualizações foi imediato e, consequentemente, outros YouTubers que seguem a mesma linha começaram a produzir vídeos parecidos. Um deles, por exemplo, questionou a eficácia dos shakes emagrecedores. Outro convidou um atleta que se intitula bodybuilder natural, ou seja, que não recorre a truques velados para ficar forte.

Esses canais são, em muitos casos, patrocinados ou apoiados por fabricantes de suplementos. Outros são de proprietários de lojas do ramo. Por isso o objetivo das mensagens que divulgam é simples: orientação básica que traz lucros. E os números de seguidores desse canais e perfis nas redes sociais são impressionantes, o que evidencia que a autosuplementação é como uma nova automedicação. Afinal, o que se vê é um incentivo à compra de produtos sem prescrição de um médico ou de um nutricionista. O assunto é complexo!

Mas voltando à questão das propagandas, assim como é comum encontrar um pequeno texto dizendo “imagem meramente ilustrativa” em muitos produtos (como uma enganosa imagem de sanduíche que no mundo real é dez vezes menor que no anúncio), tal orientação deveria ser válida também para anúncios de suplementos alimentares. Aliás, imagens de propagandas são todas meramente ilustrativas. E não seria diferente quando se tratasse de Whey Protein, Albuminas e Creatinas.

Em seu vídeo no YouTubeWill Detilli destaca que o segredo da boa forma está na qualidade do sono, da dieta e dos treinos. Não tem segredo! Porém, muitos espertalhões propalam por aí que só os suplementos garantem resultados. E nesse contexto o que não faltam são propagandas hipócritas para serem usadas como argumento.

 

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