Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Publicado em 10 de Março de 2014
por Welington Gonzaga
Walt nos Bastidores de Mary Poppins
# Cinema #
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Uma crítica na Folha de São Paulo, publicada recentemente, já destacava que “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” seria bom, mas estruturado com algumas licenças poéticas. Ou seja, o filme seria inspirado em fatos reais, mas apresentaria algumas (pequenas) distorções do que realmente teria acontecido no mundo real.

Foto: Divulgação

O filme mostra o empenho de Walt Disney (Tom Hanks) para transformar o livro escrito por P. L. Travers (Emma Thompson) num longa-metragem. Da primeira iniciativa do criador do Mickey em fazer uma adaptação do livro para o cinema até o aval da criadora de Mary Poppins passaram-se 20 anos. E o que Sr. Disney tinha de perseverante, Sra. Travers tinha de rabugenta. Só mesmo problemas financeiros da escritora é que fizeram com que ela se sensibilizasse (um pouco) em aceitar a proposta de Disney.

Mas “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (veja o trailer) não é totalmente injusto com P. L. Travers. As roteiristas Kelly Marcel Sue Smith tiveram o cuidado de mostrar não apenas o frequente mal humor e os acessos de irritação da escritora, como também a infância sofrida e a perda do pai que seriam o motivo do apego da Sra. Travers à sua obra. A condução do diretor John Lee Hancock (de “Um Sonho Possível“) faz com que, aos poucos, o espectador vá se aproximando e compreendendo os sentimentos de P. L. Travers. Até fará mais sentido o título original do filme, que é “Saving Mr. Banks“.

A estréia brasileira do filme aconteceu na última sexta-feira (07/03). Quem for ao cinema poderá conferir que, como se trata de uma produção da própria Disney, o Sr. Walt é apresentado como um bom moço. Em nenhum momento fica evidente que, para ele, adquirir os direitos autorais de Mary Poppins representaria tão somente lucros (insistir que seria apenas uma promessa feita às filhas é um tanto ingênuo). A pressão sofrida por P. L. Travers para que cedesse às condições de Sr. Walt (e de sua corporação capitalista disfarçada de fantasias e sonhos infantis) não é mostrada sob o ponto de vista da oprimida. Tendo isso em mente, talvez o espectador possa aproveitar ainda mais “Walt nos Bastidores de Mary Poppins“.

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