Semana do Oscar: “Ela”

Publicado em 2 de março de 2014
por Welington Gonzaga
Semana do Oscar: “Ela”
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“Ela” é mais um candidato ao Oscar que nos surpreende. De início pela concepção setentista do figurino e de alguns ambientes, que contrastam com a modernidade das tecnologias futurísticas presentes nas cenas. Mas, não para por aí. É um filme que foge daquilo que, normalmente, é produzido em Hollywood. Para se ter uma ideia, uma das personagens principais do filme sequer aparece em cena. Samantha é uma voz feminina que existe apenas num sistema operacional de computador com inteligência artificial. Ela é uma entidade intuitiva que escuta, entende e conhece a pessoa com quem dialoga. “Não é só um sistema operacional. É uma consciência”, diz a propaganda de apresentação do OS1.

É com essa voz feminina (que, pela sensualidade, conquista até o espectador) que Theodore (Joaquin Phoenix) irá se relacionar por mais de duas horas de filme. Embora soe como uma ficção científica de quinta categoria, não é! “Ela” é um drama de primeira qualidade – embora um pouco melancólico – capaz de colocar o espectador em reflexão sobre relacionamentos e sentimentos humanos.

Theodore é um homem de trinta e poucos anos que acaba de separar da mulher. Prestes, então, a assinar os documentos do divórcio, vivencia uma crise existencial. O vazio deixado pela esposa acaba sendo preenchido por Samantha, o sistema operacional. Ela surge como um apoio ou amizade, mas, aos poucos, acaba significando mais para o seu “usuário”. É complexo e filosófico! Samantha é também uma ferramenta para o autoconhecimento.

“Ela” (veja o trailer) disputa o Oscar em cinco categorias: melhor filme, melhor roteiro original, melhor trilha sonora original, melhor canção original (“The Moon Song“, de Karen O. e Spike Jonze) e melhor design de produção.

Dirigido por Spike Jonze (de “Quero ser John Malkovich” e de “Onde vivem os monstros“), “Ela” é um filme que trata sobre separação. O fim de um namoro, de um casamento ou de um romance pode não necessariamente significar o fim do amor. Às vezes, separação é apenas a consequência do esgotamento de uma convivência, o que se resume muito bem na carta que Theodore envia a Catherine (Rooney Mara) ao final.

“Querida Catherine, estou aqui pensando em tudo pelo que quero me desculpar. Toda a dor que causamos um ao outro. Tudo que coloquei em cima de você. Tudo que eu precisava que você fosse, ou dissesse. Sinto muito por isso. Vou te amar para sempre, porque crescemos juntos. E você me ajudou a ser quem eu sou. Eu só queria que você soubesse que sempre terá uma parte de você em mim. Eu sou grato por isso. Seja lá quem você se tornou, onde quer que esteja no mundo, estou te mandando amor. Eu apaguei o final. Com amor, Theodore”.

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