Os 20 anos de “Priscilla”

Publicado em 27 de Janeiro de 2014
por Welington Gonzaga
Os 20 anos de “Priscilla”
# Cinema #
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O ano era 1994 quando “Priscilla” se aventurou pelos desertos da Austrália. Duas décadas depois, Priscila continua jovem e atual. Talvez porque toda sua viagem tenha ficado registrada num filme que levou seu nome: “Priscilla, a Rainha do Deserto” (The Adventures of Priscilla, Queen of Desert).

“Priscilla” é apenas um ônibus, mas chega a ser a quarta personagem do filme, ao lado de duas drag queens e de uma transexual. Os três amigos viajam em direção a uma cidade chamada Alice Springs, no interior da Austrália. Quando chegarem ao seu destino, o trio estreará um novo show e, por isso, aproveitam a viagem para ensaiar. No percurso acabam se envolvendo em situações inusitadas, engraçadas e que, de alguma forma, ensinam sobre respeito e amizade.

Misturando música e bastante bom humor o filme aborda um universo visto por muitos com preconceito. Para a época, pode-se dizer que o filme ousou ao ter drag queens e uma transexual como protagonistas. Afinal, quantos filmes que vieram depois tiveram a mesma ousadia e obtiveram sucesso?

Em “Priscilla”, a homossexualidade é tratada de forma leve, mas sincera. A alegria, aqui, não omite dramas comuns de qualquer ser humano. E, ao mesmo tempo, destaca dilemas e problemas enfrentados por quem assume ser quem realmente é. O preconceito pode ser visto, por exemplo, quando os três amigos são quase impedidos de beberem num bar ou quando o ônibus quebra, no meio do deserto, e o único casal que passa por ali não se sensibiliza a ajudá-los. Mas, talvez, a maior manifestação de preconceito — e, claro, de ignorância — é quando picham “Priscilla”. Numa das cidadezinhas pelas quais passam, quando a população descobre que são homossexuais, escreve em toda a lateral do ônibus: “AIDS FUCKERS GO HOME!” (algo como “Desgraçados com AIDS, vão para casa“). Afinal, no início, a AIDS era considerada uma doença de gays!

20 anos se passaram e “Priscilla” permanece atual. Por isso, deveria fazer parte da filmografia básica de muita gente por aí! O diálogo a seguir — um dos meus preferidos do filme — é de uma cena em que o filho de uma das drag queens fala sobre o pai.

— O que está havendo? — pergunta o amigo do pai.
— Nada.
— Sabe como seu pai ganha a vida?
— Sim! — responde o garotinho.
— Então acho que sabe que ele não gosta de meninas.
— Tem um namorado neste momento?
— Não!
— Nem minha mãe. Teve uma namorada, mas terminou.

Poucas palavras que ajudam a compreender a importância de se tratar todos os relacionamentos humanos com naturalidade. Não existem apenas homens e mulheres que se amam! Há homens que amam homens e mulheres que amam mulheres. É tolice não aceitar isso! O importante é o respeito (e também o sentimento) que existe entre as pessoas.

“Priscilla, a Rainha do Deserto”, há vinte anos, já mostrava um novo conceito de família que, até hoje, muita gente ainda considera novidade.

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