Eu uso óculos…

Publicado em 29 de Abril de 2013
por Welington Gonzaga
Eu uso óculos…
# Crônica #
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Usar óculos não é apenas questão de estilo, mas, principalmente, de sobrevivência. Qualquer míope sabe os riscos de atravessar uma avenida movimentada sem os óculos. Quem tem um problema de visão também sabe que seu temperamento e seu equilíbrio dependem das lentes corretivas.

Quem nunca se sentiu perdido no trabalho ou na escola quando esqueceu os óculos em casa? Atividades simples do dia-a-dia tornam-se tarefas quase impossíveis de serem realizadas. Mas o que mais acontece quando fico sem enxergar direito? Fiz uma reflexão para “visualizar” meu grau de dependência dos óculos e, também, reconhecer que usar óculos tem lá suas vantagens.

Com óculos eu…
…enxergo melhor.
…aparento ter mais idade.
…passo maior credibilidade como jornalista.
…fico mais sério e responsável.
…não tropeço ao caminhar na rua.
…consigo ler até as letras mais miúdas.
…assisto aos filmes e programas de TV legendados.
…não fico à vontade para dançar numa festa (acho que pista de dança não combina com quem usa óculos – a menos que esteja tocando a música “Óculos”, de Os Paralamas do Sucesso).

Sem óculos eu…
…fico distraído.
…enxergo embaçado (de perto e de longe).
…confundo ou não cumprimento as pessoas na rua.
…acho que estou mais bonito ao olhar no espelho (pois não reparo em algumas imperfeições).
…não consigo ver o preço dos produtos em lojas e supermercados.
…não consigo gravar o jornal no estúdio (pois dependo dos óculos para ler o texto no teleprompter).
…eu posso ser multado numa blitz de trânsito (se estiver dirigindo).
…tenho dores de cabeça por forçar a visão.

Uso óculos há pouco mais de dez anos. Foi na época do vestibular, em 2003, que comecei a depender de lentes corretivas. De lá pra cá meu grau quase dobrou! Por isso, anualmente, é importante fazer uma visita ao oftalmologista.

Agora, escrevendo sobre óculos, veio a curiosidade: quem inventou os óculos? Há relatos históricos de “protótipos” do que, hoje, chamamos de óculos entre os antigos egípcios e entre os chineses (ano 500 a.C.). De acordo com um trecho do livro “Como fazíamos sem” (Panda Books, 2006), de Barbara Soalheiro, “no século IV, o grego Sêneca, autor de tragédias conhecido por ter lido todos os livros que existiam na época, usava um pote com água para deixar as letras maiores. Foi só pelo ano 1000 que as lentes apareceram na Europa. As primeiras, as pedras de leitura, foram criadas pelos monges católicos, dos poucos alfabetizados na época. (…) Os primeiros modelos de óculos, no século XIV, eram feitos só para uma vista. (…) Nessa época, óculos eram caríssimos, a ponto de aparecerem listados em testamentos e inventários. Foi só em 1752 que o inglês James Ayscough criou os óculos com duas hastes laterais”.

O tempo passou e, hoje, embora pareça justo colocar os óculos nos testamentos e nos inventários – devido à importância que ainda têm – o mais correto seria enterrá-los junto à pessoa que os usava. Afinal, os óculos fazem parte ou podem ser entendidos como uma extensão do corpo da pessoa. E isso me faz lembrar de uma curiosidade infantil: quando lembrar de alguém que usa óculos, na imagem que vem à cabeça, é normal a pessoa estar sempre usando óculos? Por que?

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