Ainda bem que café termina com fé

Publicado em 23 de abril de 2013
por Welington Gonzaga
Ainda bem que café termina com fé
# Opinião #
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A é muito mais que uma sílaba forte na palavra café. A fé é o que mantém a dedicação do produtor nesta cultura. Há bastante tempo que o cafeicultor está desanimado com o preço do seu produto no mercado. A última vez que ficou satisfeito foi dois anos atrás, em 2011, quando o valor da saca de 60 quilos passou de R$ 500,00. Hoje, por exemplo, fechou cotada em R$ 296,00 (café arábica, tipo 6, duro).

Para quem não sabe, a colheita do café é feita uma vez ao ano. Sendo assim, são 365 dias de dedicação na lavoura para apenas uma produção. Além do tempo, os custos de manutenção são altos. O custo da colheita também não fica barato. Ainda mais em regiões montanhosas como é o caso da maior parte do Sul de Minas.

Para os ignorantes e descompreendidos, as queixas dos produtores de café são apenas lamentações. Mas quem depende da produção e venda de uma safra para sustentar suas famílias – e não é trabalhador com salário fixo – sabe como a situação está crítica. Não é exagero dizer que o cafeicultor, principalmente o pequeno produtor, acaba pagando para trabalhar. Para se ter uma noção da crise, é comum ouvir produtor afirmar que o custo da saca seja da ordem de R$ 320,00. Como chega a vender a valor inferior, inevitavelmente, muitos deles estão endividados.

A solução imediata para o setor (acredito que) é a valorização da saca de café no mercado. Mas (acho que) é pouco provável isso acontecer (espontaneamente) neste momento. O que o setor conta, então, é com políticas públicas que ajudem na recuperação do preço.

O café foi muito importante para a economia brasileira ao longo do Século XX e continua tendo papel fundamental na atualidade. Mas ainda falta reconhecimento em relação a isso por parte de alguns governantes. Uma das recentes reivindicações do setor cafeeiro é o reajuste do preço de referência do café. Desde o ano de 2009 o preço mínimo da saca do grão está em R$ 261,69. Os cafeicultores querem que seja revisado para R$ 340,00.

No último sábado (20), em Guaxupé/MG (onde fica a maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé), o assunto esteve em pauta e, por isso, a fé de parte dos cafeicultores foi renovada devido à visita da senadora Kátia Abreu. Além de trazer otimismo, a visita da política ocorreu em momento oportuno, já que a revisão do preço mínimo da saca de café será votada na próxima quinta-feira (25), em Brasília, pelo Conselho Monetário Nacional.

Reprodução: página da senadora Kátia Abreu, no Facebook, sobre a visita a Guaxupé. (23/04/2013)

Reprodução: página da senadora Kátia Abreu, no Facebook, sobre a visita a Guaxupé. (23/04/2013)

A classe produtora aguarda uma posição favorável do Ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em relação ao preço mínimo do café. O objetivo é que esse valor seja suficiente para compensar os custos de produção.

Se o preço de referência não for reajustado agora, os cafeicultores irão se mobilizar, provavelmente, até com uma marcha na capital federal. Mas, mesmo que o novo preço mínimo seja aprovado, a crise é tamanha que talvez ainda não seja suficiente para os produtores comemorarem. Mas, caso isso aconteça, com certeza o brinde será feito de maneira bem típica: com xícaras de café. Fé!

Um Comentário

  1. Welington Gonzaga disse:

    Deixe sua opinião sobre esse assunto aqui nos comentários. Concorda com a ideia de que em alguns momentos o cafeicultor precisa pagar para trabalhar? Conhece alguém que já foi afetado negativamente pelas alterações bruscas no preço do café no mercado?

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